“The Haar” – David Sodergren
A história
A trama se passa em Witchaven, uma pequena vila de pescadores escocesa do século XIX, e tem como protagonista improvável Muriel McAuley, uma senhora de 84 anos que vive sozinha desde o desaparecimento de seu marido Billy no mar, há 12 anos. Quando um bilionário ganancioso tenta expulsar os moradores para construir um campo de golfe, Muriel e seu vizinho Arthur são os únicos a recusar a oferta.
Em uma caminhada pela praia, Muriel encontra uma criatura marinha translúcida, escamosa, que pulsa entre o azul e o verde, e a leva para casa. Batizada de Avalon, a criatura passa a viver em sua banheira — até revelar que se alimenta de seres humanos. Após devorar sua primeira vítima, Avalon assume a forma de Billy, o marido desaparecido de Muriel, transformando a pacata Witchaven em um cenário de horror.
O poder da memória
A resenha vai além da sinopse e propõe uma reflexão sobre memória e amor. O autor argumenta que somos feitos das memórias que carregamos, e que ser lembrado por quem amamos é o que dá sentido à existência. Para Muriel, Avalon é tolerável — e até amável — porque personifica a memória de Billy e do amor que viveram juntos. Quando a criatura a tocava, a dor desaparecia.
A resenha destaca a dicotomia da obra entre delicadeza e ultraviolência, mostrando que, para Muriel, o amor não tem forma: o amor simplesmente é. Em pouco mais de 200 páginas, Sodergren explora como a memória resgata sentimentos e como o afeto dispensa rótulos.
Homenagem pessoal
O livro foi escrito como tributo à avó falecida do autor, responsável por despertar nele a paixão por horror. Segundo Sodergren, ela odiaria o livro — mas essa foi sua forma de garantir que jamais fosse esquecida.
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